A ARTE DAS CRIANÇAS É… PARA TODOS

1 06 2010

Guache sobre tela, cola, areia, raspas de lápis de cor, papel, plástico, farelo de borracha escolar, tecido, metal e verniz. Esses são alguns dos materiais utilizados nas telas de Ana Luísa Papera.

Aos 5 anos de idade, a segurança e o poder expressivo da pintora surpreendem. A jovem artista pinta desde os 2 anos e retrata, por meio das cerdas mágicas do pincel, seu amor pelas cores. Segundo ela, as cores desvendam um mundo no qual seres dançam em meio a estrelas.

Sempre cercada por livros e vídeos, Ana Luísa absorve de forma criativa (e um tanto crítica) os trabalhos de artistas surrealistas. Como resultado, seu cabedal de conhecimento e inspiração toma forma em cores primárias sob grande movimentação. Suas técnicas contam, ainda, com variados produtos sobrepostos na tela, quando faz uso da colagem. A artista desenvolve suas próprias técnicas, impressionando com uma criação despojada e alegre.

O Centro Cultural Salgado Filho, da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, recebe durante o mês de junho de 2010 as telas de Ana Luísa Papera. A exposição pode ser visitada entre terça e sábado, de 8 horas às 21 horas. A entrada é gratuita.

SERVIÇO

Exposição: A ARTE DAS CRIANÇAS É… PARA TODOS

Local: Centro Cultural Salgado Filho – R. Nova Ponte, 22, Salgado Filho, BH

Telefone: 3277-9625 – E-mail: ccsf.fmc@pbh.gov.br

Funcionamento: de terça a sábado, de 8h às 21h





Niterói, de quem é a culpa?

8 04 2010

Pessoas estão morrendo lá no morro. Morrem misturados ao lixo, como sempre foram tratados: lixo! Na maior tragédia da cidade de Niterói, famílias inteiras soterradas, tentando sobreviver. Alguns poderiam até pensar: “Até que enfim o Brasil nos vê”. O Morro do Bumba, no Cubango, na Zona Norte da cidade está de luto. O Rio de Janeiro e o Brasil inteiro também.

Ficamos perplexos e nos perguntamos como podemos estar tão abandonados politicamente e como nos envergonha os caminhos tomados por nossos governantes. Há anos, Niterói tem prefeitos do mesmo partido que nunca viram a favela crescer em cima do aterro sanitário. Não há fiscalização, controle, organização. Não há interesse em acompanhar o favelado, aquele que mais precisa de orientação.

Afinal, o que é política? O dicionário deixa claro, “conjunto dos princípios e medidas postos em prática por instituições governamentais (…) para a solução de problemas sociais”. É política que vivemos quando nos deparamos com tanta corrupção, nepotismo, descaso e falta de vontade política? Por que projetos como o Ficha Limpa, que suspende a candidatura por oito anos de políticos que enfrentam processos judiciais, encontram tanta resistência no legislativo? Não deveria ser constragedor votar contra, não deveria ser o funeral político do candidato que votasse contra esse projeto?

Muitas perguntas sem respostas parecem guiar a cabeça dos brasileiros que não encontram a solução para “consertar” toda essa bagunça. Afinal, a culpa também é (infelizmente) nossa. Somos nós que trocamos favores por votos, que nos conformamos com a sujeira da política, que não observamos o trabalho realizado pelo candidato e seu passado antes de votar, que não exigimos que nossos representantes nos honrem. Somos nós que furamos filas, ficamos com o troco a mais, jogamos lixo nas ruas. Chamamos a polícia por causa da música alta no apartamento do vizinho, mas não temos coragem de mandar um e-mail para um político para exigir uma postura. Com isso, acabo por me deparar com uma difícil percepção: quem não presta somos nós.

Então, somos nós os culpados pelo deslizamento, pela granada, pelo tráfico que ocupa a cidade, pela desigualdade social e tantos outros problemas sociais que temos. Assumamos nossa culpa! O (difícil) processo para reverter tudo isso é mais ou menos assim: os políticos começam a pensar mais nas demandas populares e o povo começa a fiscalizar mais os políticos. Enquanto isso, a educação vai cumprindo seu papel, fazendo tudo isso andar muito mais rápido. Que o Rio possa superar tudo isso, que o Brasil tome como exemplo do que não se deve acontecer, afinal não são números, são vidas.





Ele perde a amizade, mas não perde a piada!

9 03 2010

Como nasci na década de 1980, ainda não sou considerada uma múmia (talvez sim, para a web 2.0). Mas, desde que comecei a rir de piadas, sempre notei um tom de segregação em seu conteúdo, já que o alvo sempre era o português, o turco, o gay, o nordestino, o gago, o gordo, o corno, a loira, enfim…

Ano passado, trabalhei fazendo textos para um jornal de uma entidade social muito respeitada e a orientação que recebia era que não poderia colocar piadas preconceituosas na seção de entretenimento. Achei a idéia super bacana, embora tivesse muita dificuldade de encontrar uma piadinha que prestasse. Ao que parece, a piada funciona como uma válvula de escape de nossas discriminações mais íntimas, uma maneira respeitosa de desabafar nosso lado mais sarcástico, sem, no entanto parecer imoral; mas isso eu deixo para os psicólogos analisarem.

O que o Danilo Gentili twittou ontem (08), durante a exibição do programa da Hebe, no entanto, foi algo mais raro e evidente. O humorista divulgou Assistam! O SBT está reprisando agora “O Retorno da Múmia”.

Fonte: blog Querido Leitor

Sabe quando uma pessoa conta a piada toda empolgada e ninguém ri? Foi essa a impressão que tive da cara do Gentili. Depois, assustado com a repercussão, apagou o tweet.

No entanto, o feedback do twitter é instantâneo e, agora ele terá que lidar com as críticas de modo igualmente bem humorado porque essas estão vindo a todo momento. Gentili não considerou que no microblog não dá para “desdizer”. Os seguidores estão de olho em sua timeline. Bruno Gagliasso o chamou de “babaca”, Preta Gil disse que ficou “feio demais”. Outras celebridades e milhares de pessoas comuns também repercutiram negativamente o comentário do humorista do CQC.

Sem querer cometer o mesmo erro de Gentili, sou capaz de brincar com essa situação ao dizer que se essa história fosse um homicídio, certamente seria considerado qualificado, considerando que a Hebe retornou ontem à televisão após passar por graves problemas de saúde, por ser, inclusive, o seu 81º aniversário e por ser o dia internacional da mulher. Gentili não foi gentil. Cutucar a Hebe com vara curta resulta muito perigoso! Mas parece que ele é daqueles que perdem a amizade, mas não perdem a piada!





A Arte de Bax

7 03 2010

O mensageiro de Deus

Petrônio Bax e seu autoretrato

Quem vai ao sítio 23 do Condomínio do Miguelão, em Nova Lima, pode sentir desde o portão de entrada a magnetude daquele lugar. Embelezada por uma natureza viva, sua casa é propícia para quem quer desconectar-se com o confuso mundo da cidade e receber as boas energias de um meio-ambiente equilibrado.

Ali, vive e trabalha vigorosamete Petrônio Bax, um artista multifacetado que ainda preserva, aos 80 anos, a inquietação artística. Pinta, escreve, desenha e ainda arrisca dotes de marceneiro. Em seu aconchegante estúdio exibe algumas de suas telas, livros diversos, inclusive de sua autoria, além das múltiplas publicações dos quatro cantos do país sobre seu legado.

É ali, naquele cantinho mágico que o “véio” – como ele mesmo se auto-denomina – encontra, ao som da música clássica, a inspiração para retratar a conexão entre o céu e a terra. “Sou cristão e pinto a religiosidade que tenho. Há algo de mistério nisso, mas o homem, insiste em querer saber tudo e não aprende que se é mistério deve-se deixar quieto”, observa. Seu universo pictório busca nas águas, na luz e nos peixes, os elementos marinhos e símbolos cristãos. Suas obras são recheadas de religiosidade e de um azul exuberante que, segundo o artista, revela o início da vida humana e a inocência de sua infância. A luminosidade que descende do céu traduz a energia divina que emana sobre todos os seres da Terra. O peixe, signo do Cristo, está em praticamente todas as obras e marca, inclusive, sua assinatura de suas telas. Também encontramos várias representações de São Francisco de Assis, Virgem Maria e Cristo crucificado, além de obras belíssimas como a “Via Sacra”.

VENI, CREATOR SPIRITUS!

Essa expressão está escrita acima do cavalete de Bax para pedir que seu anjo da guarda lhe inspire no trabalho. “Peço sensibilidade para fazer um quadro de pensamentos mais elevados”.

Talvez seja sob a proteção de seu anjo, que consegue desenvolver tanto suas habilidades artísticas. Além de pintar inúmeros quadros que estão espalhados por todo o mundo, Bax escreveu cinco livros, O Espelho de Alexandra (1999), Som de um Caramujo (2002), Barco Sonho do Pintor (2003), O Espelho das Águas (2003) e das Águas ao Espírito (2004) e neles também buscou pintar, desta vez com palavras, seu sentimento de retratar a religiosidade bíblica. Em 1949, foi presidente do D.A da Escola de Guignard, o qual foi seu professor e amigo e de quem conservou influências. “Guignard me ensinou muito mais que pintar. Era um homem bom e dava prazer fazer as coisas que ele ensinava”, recorda.

Estar em companhia de Bax, ainda que por poucas horas, é perceber na experiência de vida que ele transborda em sua face tranquila e suas sábias palavras, o bom que pode ser viver e se dedicar à arte de ser um mensageiro de Deus.





Vilãs invejáveis

7 03 2010

O IMPÉRIO DO EFÊMERO

Tomei emprestado o nome do livro de Gilles Lipovetsky, que li recentemente, e que me alertou sobre as fórmulas consagradas que a mídia repete para obter o sucesso de um produto. Lipovetsky me fez repensar as telenovelas brasileiras e sobre como as vilãs têm ocupado um lugar privilegiado na preferência do público. A cada nova produção elas se apresentam mais atraentes, exuberantes, poderosas e más. E cada nova produção lá vem eles, os índices de audiência, sempre nas nuvens, tensos e palpitantes, quando essas personagens estão no ar. Mas, como assim, gostar das vilãs? Por que isso acontece, se já estamos tão fartos de maldades no mundo real?

É porque no simulacro das telenovelas, a perversidade das vilãs não ultrapassa a linha do imaginário. Elas trazem uma espécie de loucura que não incomoda, não machuca o “próximo real”. E mais: elas têm uma caractéristica que os mocinhos nunca conseguirão ter. A humanidade. Os mocinhos são perfeitos demais, bons demais. Sobrenaturais. As vilãs não, elas erram, lutam por um amor perdido, por um cargo, ou uma herança, e fazem o que for preciso para conseguí-lo, e conseguem sempre, nem que seja até o penúltimo capítulo. É um misto de divino e humano. Um semi-deus que se apresenta sob forma de um artista, reunindo tudo o que é desejado pela massa. Já dizia Lipovetsky, que nós consumimos no espetáculo o que a vida real nos recusa. Sexo porque estamos frustrados, aventura porque nada de palpitante agita nossas vidas. As vilãs oferecem ao público tudo aquilo que ele almeja ser é não é. Fortes, sedutoras, persistentes, e o que mais importa: vencedoras na grande maioria dos casos. E ao final de cada novela, o público aguarda sedento a justiça que espera para os vilões da vida real. E termina “sua” história feliz porque a justiça quase sempre se dá.

A mocinha, a vilã, o problema e o desfecho feliz. É na repetição incessante desse esqueleto que as telenovelas reproduzem os conceitos da vida burguesa, objeto de desejo da classe trabalhadora, que acaba por almejar ser o que de fato representa uma construção da própria mídia. E o que mais me preocupa é a alienação, na medida em que o público se apropria de um personagem e o adota como real, usando o esmalte daquela vilã, ou o cabelo da outra, um bigode estranho… E nós vamos perdendo nossa essência para o outro. E começamos a construir novos valores pela influência do outro, esquecendo-nos que este outro é apenas uma representação. Pode até parecer que eu detesto novela. Não, pelo contrário, mas que esta fique somente no viés do espetáculo!





Maioridade Penal

26 02 2010

Cadeia é a solução?

Desde que o menino João Hélio foi morto (2007) ao ser arrastado por um carro, cujo um dos marginais era menor de idade, tanto a imprensa quanto a sociedade civil não páram de discutir sobre a redução da maioridade penal.

Nossa legislação determina a idade de 18 anos. Especialistas afirmam que esta é a idade em que o ser humano se encontra com capacidade de discernir e direcionar seus atos. Vários países como França, Áustria, Finlândia, Noruega, Colômbia e Uruguai também compartilham dessa definição. Apesar da veiculação massiva desse tema pela grande mídia, o que se percebe é uma grande desinformação por parte da  população. Poucos veículos de comunicação ou formadores de opinião se empenham em realizar um discurso contextualizado, analisando a  estrutura social brasileira e as razões pelas quais existe uma sensação de insegurança nacional.

Segundo Tarcísio Martins da Costa, desembargador e ex-Juiz da Vara de Infância e da Juventude muita bobagem está sendo transmitida pelos veículos de comunicação. O desembargador acredita que reduzir a maioridade penal é uma atitude que vai tornar a sociedade ainda mais violenta em um futuro próximo. “O adolescente age de acordo com o grito de seus hormônios. O crime para ele tem um aspecto lúdico, é um jogo. Sua  personalidade é plástica e pode ser moldada para o bem ou para o mal. Colocar um adolescente na cadeia que ainda não tem a capacidade de discernir e direconar seus atos, é formar alunos de Beira Mar, de Marcola e pós-graduados em PCC e Comando Vermelho. Colocar esses adolescentes na cadeia é dar um tiro no pé”. Segundo ele, pelo menos 70% dos menores que estão hoje nos Centros Educativos iriam para a cadeia caso a maioridade fosse reduzida para 16 anos, produzindo novos criminosos e superlotando nossas cadeias.

A professora de Ciências Políticas, Juniele Rabêlo, destacou a necessidade de uma reflexão profunda sobre o tema: “Fica fácil resumir somente na pergunta: Você é a favor ou contra a redução da maioridade penal? A tentativa midiática de simplificar gera um problema gravíssimo, porque na maioria das vezes, existe uma tendência de ir a favor. Devemos tentar perceber que no caso brasileiro, nós temos um problema educacional. Temos que pensar em soluções em médio e longo prazo”, explica.

O professor Marcelo Loures, doutorando em psicologia pela PUC de Campinas, desenvolveu uma pesquisa e descobriu que, famílias que têm a melhor organização familiar disfrutam da oportunidade de acompanhar o desenvolvimento sócio-educativo de seus filhos, impondo-lhes limites importantes na formação de sua cidadania. “Em famílias nas quais os pais têm boa formação educacional se nota uma melhor organização familiar e maior acompanhamento dos filhos nas escolas e creches”, acrescenta.

Questionado sobre qual seria a solução para a criminalidade no Brasil, o desembargador Tarcísio Martins da Costa reconheceu que o sistema possui falhas e que o menor ainda não é instruído, profissionalizado, ressocializado e reinserido na sociedade como deveria. Mas, que a resposta está na base familiar e na educação. “Renunciar o poder transformador da educação, permitir que o adolescente infrator vá para a escola do crime, além de ser uma covardia é uma grande burrice”, finaliza o ex-juiz.








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