O mensageiro de Deus

Petrônio Bax e seu autoretrato
Quem vai ao sítio 23 do Condomínio do Miguelão, em Nova Lima, pode sentir desde o portão de entrada a magnetude daquele lugar. Embelezada por uma natureza viva, sua casa é propícia para quem quer desconectar-se com o confuso mundo da cidade e receber as boas energias de um meio-ambiente equilibrado.
Ali, vive e trabalha vigorosamete Petrônio Bax, um artista multifacetado que ainda preserva, aos 80 anos, a inquietação artística. Pinta, escreve, desenha e ainda arrisca dotes de marceneiro. Em seu aconchegante estúdio exibe algumas de suas telas, livros diversos, inclusive de sua autoria, além das múltiplas publicações dos quatro cantos do país sobre seu legado.
É ali, naquele cantinho mágico que o “véio” – como ele mesmo se auto-denomina – encontra, ao som da música clássica, a inspiração para retratar a conexão entre o céu e a terra. “Sou cristão e pinto a religiosidade que tenho. Há algo de mistério nisso, mas o homem, insiste em querer saber tudo e não aprende que se é mistério deve-se deixar quieto”, observa. Seu universo pictório busca nas águas, na luz e nos peixes, os elementos marinhos e símbolos cristãos. Suas obras são recheadas de religiosidade e de um azul exuberante que, segundo o artista, revela o início da vida humana e a inocência de sua infância. A luminosidade que descende do céu traduz a energia divina que emana sobre todos os seres da Terra. O peixe, signo do Cristo, está em praticamente todas as obras e marca, inclusive, sua assinatura de suas telas. Também encontramos várias representações de São Francisco de Assis, Virgem Maria e Cristo crucificado, além de obras belíssimas como a “Via Sacra”.
VENI, CREATOR SPIRITUS!
Essa expressão está escrita acima do cavalete de Bax para pedir que seu anjo da guarda lhe inspire no trabalho. “Peço sensibilidade para fazer um quadro de pensamentos mais elevados”.
Talvez seja sob a proteção de seu anjo, que consegue desenvolver tanto suas habilidades artísticas. Além de pintar inúmeros quadros que estão espalhados por todo o mundo, Bax escreveu cinco livros, O Espelho de Alexandra (1999), Som de um Caramujo (2002), Barco Sonho do Pintor (2003), O Espelho das Águas (2003) e das Águas ao Espírito (2004) e neles também buscou pintar, desta vez com palavras, seu sentimento de retratar a religiosidade bíblica. Em 1949, foi presidente do D.A da Escola de Guignard, o qual foi seu professor e amigo e de quem conservou influências. “Guignard me ensinou muito mais que pintar. Era um homem bom e dava prazer fazer as coisas que ele ensinava”, recorda.
Estar em companhia de Bax, ainda que por poucas horas, é perceber na experiência de vida que ele transborda em sua face tranquila e suas sábias palavras, o bom que pode ser viver e se dedicar à arte de ser um mensageiro de Deus.