Niterói, de quem é a culpa?

8 04 2010

Pessoas estão morrendo lá no morro. Morrem misturados ao lixo, como sempre foram tratados: lixo! Na maior tragédia da cidade de Niterói, famílias inteiras soterradas, tentando sobreviver. Alguns poderiam até pensar: “Até que enfim o Brasil nos vê”. O Morro do Bumba, no Cubango, na Zona Norte da cidade está de luto. O Rio de Janeiro e o Brasil inteiro também.

Ficamos perplexos e nos perguntamos como podemos estar tão abandonados politicamente e como nos envergonha os caminhos tomados por nossos governantes. Há anos, Niterói tem prefeitos do mesmo partido que nunca viram a favela crescer em cima do aterro sanitário. Não há fiscalização, controle, organização. Não há interesse em acompanhar o favelado, aquele que mais precisa de orientação.

Afinal, o que é política? O dicionário deixa claro, “conjunto dos princípios e medidas postos em prática por instituições governamentais (…) para a solução de problemas sociais”. É política que vivemos quando nos deparamos com tanta corrupção, nepotismo, descaso e falta de vontade política? Por que projetos como o Ficha Limpa, que suspende a candidatura por oito anos de políticos que enfrentam processos judiciais, encontram tanta resistência no legislativo? Não deveria ser constragedor votar contra, não deveria ser o funeral político do candidato que votasse contra esse projeto?

Muitas perguntas sem respostas parecem guiar a cabeça dos brasileiros que não encontram a solução para “consertar” toda essa bagunça. Afinal, a culpa também é (infelizmente) nossa. Somos nós que trocamos favores por votos, que nos conformamos com a sujeira da política, que não observamos o trabalho realizado pelo candidato e seu passado antes de votar, que não exigimos que nossos representantes nos honrem. Somos nós que furamos filas, ficamos com o troco a mais, jogamos lixo nas ruas. Chamamos a polícia por causa da música alta no apartamento do vizinho, mas não temos coragem de mandar um e-mail para um político para exigir uma postura. Com isso, acabo por me deparar com uma difícil percepção: quem não presta somos nós.

Então, somos nós os culpados pelo deslizamento, pela granada, pelo tráfico que ocupa a cidade, pela desigualdade social e tantos outros problemas sociais que temos. Assumamos nossa culpa! O (difícil) processo para reverter tudo isso é mais ou menos assim: os políticos começam a pensar mais nas demandas populares e o povo começa a fiscalizar mais os políticos. Enquanto isso, a educação vai cumprindo seu papel, fazendo tudo isso andar muito mais rápido. Que o Rio possa superar tudo isso, que o Brasil tome como exemplo do que não se deve acontecer, afinal não são números, são vidas.


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